É o tempo que vai e não volta mais a ser como era dantes.
Como quando corria na escola, jogava à bola e andava de bicicleta.
É o tempo que passa e não sou mais criança. Já não fujo para casa a chorar porque alguém fez troça de mim. Já não me fecho no escuro porque não querem ser meus amigos.
Desde aquele dia, ultima recordação que tenho, quando recebi a minha primeira companhia de dez anos, tanta coisa aconteceu… ah!
Vinha numa caixa de cartão e eu não sabia o que era. Só percebi quando ela miou e eu a libertei para ser uma presença da minha infância. Eu tinha dois anos… Lembro-me como se tivesse sido algures nestes dias, num qualquer sonho de uma noite passada…
No primeiro dia de escola, contente por finalmente poder encontrar amigos, porque até aqui quase não me deixavam sair de casa, ainda me lembro do medo que senti…
Era um fato de treino que tinha vestido… roxo, com riscas pretas… bem ao estilo piroso daquele tempo…
Entre o medo de descobrir coisas novas que sempre me fascinaram e a timidez de quem nunca teve o dom das palavras cresci mais uns centímetros até mudar de escola…
Passei para o quinto ano e sabia que a minha vida ia mudar… conhecer novas pessoas, novos sítios, novas experiências… o primeiro AMOR…
E foi assim que cresci… uma adolescência de novas descobertas, de entendimentos e desentendimentos… uma adolescência apaixonada… foi nesta altura que descobri o que sempre condicionou a minha vida… até hoje…
E acabou mais uma aventura… começou mais uma etapa: COIMBRA
Acabou a timidez, acabou uma paixão de uma inteira adolescência, começa a independência, a audácia, a vontade de mudar o mundo… o meu MUNDO…
Já se contam três anos desde que começou o mais novo eu. E nestes três anos já se mudou muitas vezes.
O menino que ninguém escolhia para jogar à bola cresceu. Não precisa de ficar sentado no muro a ver os outros a jogar porque tem muitos amigos…
Já não vai para casa a chorar nem se fecha no escuro… com os seus gatos e refugiado na televisão…
Mudei muito nestes vinte e um anos. Mas ainda continuo a encontrar na solidão e no escuro um pequeno refúgio de quem tem ainda muito para pensar… para sentir…
E continuo a viver como sempre o fiz. Fazer da vida um mar de emoções… porque me custa viver desamparado e esquecido pelas paixões que me fazem sentir vivo.
Mas quando choro já não é porque me gozaram… mas porque a vida faz troça de mim!
Mudei tanto… o dia de amanhã já tem tão pouca importância… Mas adoro viver o hoje. Olhar para traz e saber que quando acordar será certamente um eu diferente que lava a cara e sorri para o mundo… porque passou mais um dia…
Faz-me falta o amor